11/07/2019

11/07/2019

Empresas americanas já podem solicitar licenças para negociar com a Huawei


No final do mês passado, na conferência de imprensa após um encontro com o Presidente Chinês Xi Jinping, o Presidente americano surpreendeu ao anunciar a suspensão do bloqueio imposto pelo seu governo à Huawei. Esta declaração acabou por ser demasiado vaga, não tendo sido fornecidos detalhes relativamente ao âmbito desta medida, ficando por saber como é esta decisão iria ser operacionalizada.


A administração do Sr. Trump, veio agora clarificar este assunto, explicando de que forma é que pretende aliviar as restrições impostas às empresas americanas, que ficaram impossibilitadas de negociar com a Huawei. De acordo com as informações agora fornecidas pelos responsáveis do governo dos EUA, a marca chinesa vai continuar na "lista negra", mas o governo americano irá emitir licenças em condições especiais, que permitirão as trocas comerciais, possibilitando assim à Huawei o acesso a tecnologia americana.

Wilbur Ross, Secretário do Comercio dos EUA, revelou que o seu departamento "vai emitir licenças, quando não existirem ameaças à segurança nacional (dos EUA)". Referiu ainda que "a Huawei irá continuar na Entity List e que este anúncio não alterar o âmbito dos itens que necessitam de licenciamento".

Num outro evento, Larry Kudlow, director do White House National Economic Council, classificou estas medidas como "uma porta aberta, que advém de regras menos rígidas para os licenciamentos concedidos pelo Departamento de Comercio". Esta situação irá apenas ocorrer num sentido, com o governo americano não estar disponível para adquirir componentes à Huawei.

Licenciamento restrito e por tempo limitado

Esta abertura do governo americano é apenas temporária, não tendo sido avançado até quando é que estas novas regras poderão estar em vigor. Não foi igualmente feita referência à tipologia de artigos que a Huawei poderá adquirir, levantando-se por isso muitas dúvidas quanto ao tipo de licenciamento que irá ser atribuído.

Será esta alteração suficiente, para que empresas não americanas como a ARM levantem o embargo que resultou do bloqueio imposto pelo EUA? A par do Android, as relações com a ARM, são garantidamente um dos aspectos que mais deverá preocupar a marca chinesa, com o desenvolvimento dos processadores HiSilicon a poder estar em risco.

Os componentes que possam ser adquiridos em outros mercados como o Europeu e Asiático, estarão na linha da frente para fazer parte da lista de artigos autorizados a ser adquiridos pela Huawei. Desta forma, o governo americano pretende proteger as vendas das empresas americanas, que de outra forma, se veriam impedidas de fazer negócios com a marca chinesa.

Futuro continua em aberto

Analisando os acontecimentos mais recentes, fica cada vez mais claro que esta é uma questão muito mais política que de segurança, com o governo americano a fazer valer a sua força através deste bloqueio, procurando assim obter vantagens na mesa das negociações com China.

Sabendo-se que a Huawei tem um plano B em marcha e que o HongmengOS promete ser mais rápido que o Android, o governo americano pode estar esticar a corda em demasia, com a Google a ser uma das grandes visadas neste imbróglio politico-económico. Com a IFA 2019 à porta e um novo smartphone da gama Mate a poder ser apresentado até final do ano, teremos por certo novidades a caminho , mas dificilmente uma das partes poderá sair a ganhar desta novela.

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