18/09/2019

18/09/2019

Huawei à procura da Harmony"a" em Munique


Quando à cerca de um ano atrás, a Huawei apresentou a série Mate 20, por certo que ninguém se atreveria a avançar com o cenário rocambolesco, em que a marca chinesa se viu envolvida nos últimos meses.


Enquadramento

O governo americano levantou uma frente de batalha com a China, o que acabou por levar à interdição de negócios com a Huawei, a qual de um momento para o outro, seu viu privada de aceder livremente a hardware e software americano, situação que rapidamente se estendeu a outros continentes, com a britânica ARM a enveredar pela posição dos EUA.

Perante esta conjectura, rapidamente se definiram cenários verdadeiramente preocupantes para a marca chinesa, o que acabou por levar o seu CEO a dar uma entrevista, onde procurou mostrar que a Huawei não representa qualquer perigo para qualquer Estado.

A situação acabou por ser de alguma forma acalmada, com os 90 dias de autorização temporária, para a Huawei aceder a tecnologia americana. situação que foi alvo de prolongamento com novo período de 90 dias, até 19 de Novembro de 2019.

Será perante este cenário de indefinição, em que os governos dos EUA e China ainda não fecharam um acordo comercial, que a Huawei irá apresentar em Munique a nova série Mate 30. Tendo em conta que as sanções impostas à marca chinesa ainda não foram levantadas, a Huawei terá que optar por uma solução alternativa, a qual deverá passar por uma das opções que avançamos de seguida (ordenadas por probabilidade).


Modalidades de acção para o lançamento do Mate 30

A - Lançar o Mate 30 como se nada se passasse (com apps e serviços Google)

A Huawei tem optado por colocar o smartphone no mercado, logo após a sua apresentação oficial. Caso seja esta a opção escolhida, a Huawei terá muito pouco tempo para obter um acordo, mesmo que parcelar, para garantir a utilização dos serviços e software Google. Tendo em conta que temos um evento marcado para daqui a um dia e o smartphone vai estar na mão de centenas de jornalistas, não é de esperar outra opção que não uma certificação do produto, com suporte completo do ecossistema Google. A ser assim, tudo já deverá estar mais do que decidido, faltando apenas o anúncio oficial, o qual até poderá ocorrer na apresentação do produto, que por norma até conta com um quadro oficial da Gogole entre os oradores convidados.

B - Apresentar o Mate 30, congelando a sua chegada aos mercados ocidentais

É uma opção que faria todo o sentido em termos estratégicos, não fosse a imagem da marca ficar ainda mais fragilizada junto da opinião pública. A Huawei fez um enorme esforço para se dar a conhecer ao público e de um momento para o outro, viu o trabalho de anos cair por terra.  O smartphone seria apresentado com a versão chinesa da EMUI e a versão ocidental teria de esperar pelo estabelecimento de um acordo entre os dois países.

C - Lançar o Mate 30 sem as aplicações e serviços da Google

É o chamado harakiri. Se a modalidade B seria prejudicial para a imagem da marca, esta opção C, pode ser vista como a machadada final na reputação da Huawei nos mercados internacionais. É certo que a marca pode sempre optar por um sistema alternativo para disponibilizar as apps e serviços da Google, mas a certificação do produto continuaria a não estar disponível, situação que teria tudo para dar origem a mais um escândalo com proporções épicas. Uma acção deste género, só daria azo a que as suspeitas de espionagem fossem mais uma vez alvo de discussão, algo que garantidamente não estará nos planos da marca.

D - Mate 30 powered by Harmony OS

O slogan até pode ser interessante, mas a harmonia está longe de ser garantida. Tal como a opção C, a não disponibilização do ecossistema Google, não pode ser visto como opção. Ao contrário da China, onde os smartphones são utilizados sem acesso aos serviços da Google, o mercado Ocidental não está disponível para este cenário, com os utilizadores a rapidamente olharem para os produtos da concorrência. Não bastará à Huawei garantir uma loja de apps com conteúdos de qualidade, pois os utilizadores vão sempre querer mais e melhor, algo que dificilmente deverá ser conseguido, sem o levantamento das sanções impostas pelos EUA.



Uma Harmony"a" complicada

Analisando aquilo que tem sido a politica da marca chinesa, não é de esperar outra opção que não a modalidade A. Ao longo dos últimos anos temos assistido a uma evolução lenta, mas sustentada, sem lugar a grandes aventuras, não sendo por isso expectável que numa situação tão sensível como a actual, a Huawei opte por uma solução mais radical.

O Harmony OS até muito bem ser o futuro, mas apenas a longo prazo, para já, a solução terá sempre de passar pelo Android com suporte para o ecossistema Google. Amanhã, ficamos a saber qual foi a decisão da Huawei,

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