13/01/2019

13/01/2019

Análise ao Huawei Mate 20 Pro



Indo directamente ao assunto: o Huawei Mate 20 Pro é o smartphone que muito provavelmente irão desejar comprar. Com um design e acabamentos premium, desempenho superior e câmaras para todos os cenários de utilização, tem no preço o aspecto menos positivo, nada mais, nada menos que 1049€. Este é o valor a pagar pelo melhor smartphone Android actualmente disponível no mercado.


Com várias opções de qualidade no segmento intermédio, a questão preço por certo levanta várias dúvidas ao consumidor. Ao longo desta análise, vamos tentar ajudar a esclarecer as mesmas.





O Mate 20 Pro foi apresentado a 16 de Outubro e tem sido o smartphone que tenho utilizado ao longo do último mês e meio. Durante 15 dias, acabou por ficar em casa, pois não tinha um capa para lhe aplicar e sabendo eu das minhas potencialidade, optei por não arriscar.



Dentro caixa, além do smartphone e ao contrário da unidade de testes, vão contar com uma capa de silicone, o clip para instalar os cartões SIM/armazenamento, a documentação de referência, carregador, cabo USB-C, auriculares USB-C e um adaptador USB-C para jack de 3,5mm, para quem pretender utilizar uns headphones com este tipo de ligação

O Mate 20 Pro

Em termos de design, este Mate 20 Pro marca um ruptura com os seus antecessores. As linhas laterais são claramente inspiradas no topo de gama da rival Sul Coreana, com a traseira a apresentar uma curvatura mais acentuada, que tem como implicação directa, um corpo com a lateral mais fina.



Pese embora, a semelhança no corpo, este acaba por ser um smartphone que facilmente se distingue dos demais. Tive oportunidade de constatar isso mesmo, quando numa das viagens de comboio me perguntaram se não era o Mate 20 Pro que tinha na mão.

"Essa câmara traseira não deixa margem para dúvidas", comentou um passageiro, mostrando assim estar a par das novidades.

O sensor de impressão digital que era imagem de marca na traseira do Mate Pro, muda para a frente do equipamento.  A traseira passa a ser dominada pela tripla câmara, que surge num arranjo quadrangular, em conjunto com o flash.

Por cima desta área, uma inscrição dando destaque à parceria com a Leica, que mais uma vez colaborou com a Huawei, no desenvolvimento das câmaras e respectivo software. A inscrição Huawei, que era alvo das criticas de alguns consumidores, para satisfação dos mesmos, passa agora para a traseira no equipamento.



Na frente, o Mate 20 Pro passa a apresentar um notch que tem uma dimensão considerável. A Huawei justifica esta opção, com a necessidade de alojar a câmara frontal, led de notificações, os diferentes sensores, a coluna frontal e uma câmara com sensor 3D de profundidade, utilizada no reconhecimento facial.



No terço inferior, em zona central, o sensor de impressão digital, que aparece agora sobre o ecrã, abandonando como referido em anteriormente, a traseira do equipamento.



Na lateral inferior, a porta USB-C, o slot para os cartões SIM/NMCard e dois microfones, um de cada lado. Ao removerem o adaptador para instalação dos cartões, devem ter em atenção qual é o orifício para o efeito, por forma a não inserirem o clip no local errado.



Do lado direito, botões de volume e power, com este último a apresentar uma cor diferente, o que lhe confere um toque de requinte, tornando-o igualmente mais facil de localizar.


Na lateral superior, mais um microfone (o terceiro) e o sensor de infravermelhos, que já havia sido uma aposta da marca, no Mate 10 Pro. É uma opção questionável nos tempos que correm, onde o WiFi e Bluetooh, são opções que se constituem como um alternativa na maioria das utilizações, que o sensor de infravermelhos pode ter.

Hardware

A Huawei optou por apresentar o Kirin 980 na IFA 2018, dando-lhe o devido destaque num evento onde deu a conhecer as principais características deste processador. Uma nova arquitectura (2 x Cortex-A76  a 2.6 GHz + 2 x Cortex-A76 a 1.92 GHz + 4 x Cortex-A55  a 1.8 GHz), duplo NPU e processo de fabrico de 7nm, garantem segundo a marca, melhorias significativas face ao Kirin 970, com um aumento de 20% no desempenho e uma poupança de 40% no consumo energético.


A gestão dos 8 núcleos do Kirin 980 (Flex-Scheduling), aloca os recursos de processamento em função das tarefas a executar. A utilização dos núcleos é efectuada de acordo com cada processo e ao longo do tempo, será ajustada em função dos dados recolhidos no dia a dia, com a AI a regular esta acção.

A parte gráfica também recebeu uma melhoria considerável, com a nova GPU MALI G76 a permitir um desempenho 46% superior e uma eficiência energética 178% melhor que a da GPU do Kirin 970.

O ecrã OLED apresenta uma resolução 2K 3120 x 1440 pixels com 538 PPP, superior aos 2160 x 1080 pixels, 402 ppp do Mate 10 Pro. Ao contrário do que vinha a ser habitual, a Huawei não apostou numa protecção de ecrã, algo que para os mais descuidados, poderá ser visto como um chamariz para os riscos. Por outro lado, o ecrã tem um tratamento que minimiza a oleosidade dos dedos, apenas não conseguindo resistir a situações em que a superfície dos dedos apresente um maior nível de gordura.

Já a traseira, pelo menos nesta versão Twilight, não fica nada bem na fotografia, sendo um íman para as dedadas, o que acaba por estragar o efeito do gradiente, um dos destaques do smartphone. Se utilizarem uma capa transparente, algo que de resto se aconselha vivamente, esta questão das dedadas, deixa de ser um problema.




O Mate 20 Pro está disponível em duas configurações, 6 GB RAM + 128 GB ROM e 8 GB RAM + 256 GB ROM, com o armazenamento a poder ser expandido com um cartão NM, apresentado pela marca, no evento de lançamento do smartphone.

Em termos de câmaras, a Huawei volta a apostar na Leica no conjunto traseiro, com um triplo sensor
40 MP (grande angular, abertura f/1.8) + 20 MP (Ultra Wide Angle Lens grande angular, abertura f/2.2) + 8 MP (Telephoto, abertura f/2.4), com tripla focagem automática  (laser, fase e contraste), e e estabilização automática da imagem EIS (Estabilização de imagem com Huawei AI). Na frente, um sensor de 24MP com abertura f/2.0 e a já referida câmara 3D, para o reconhecimento facial.


Em utilização



O processo de transferência dos dados para um novo smartphone, pode ser uma dor de cabeça, com emails, sms, fotografias e aplicações darem origem a problemas na migração dos dados. A Google tem vindo a melhorar este processo, apresentando várias possibilidades ao utilizador, tendo sido este o processo que tenho vindo a utilizar, se bem que nunca tenha conseguido o nível de qualidade pretendido na passagem dos dados.

A Huawei tem igualmente vindo a trabalhar no desenvolvimento de uma solução que permita ao utilizador migrar os dados para um novo smartphone. A nuvem pode ser utilizada como complemento à aplicação Phone Clone, algo que não veio a acontecer, porque não estava a utilizar o serviço para backup dos dados.






Aproveitei esta oportunidade para testar a eficiência do Phone Clone, até porque já tinha a app instalada no Mate 10 Pro. Depois de iniciar a app nos dois smartphones, com o Mate 10 Pro efectuei o scan do QRCode apresentado no Mate 20 Pro e seleccionei o conteúdo a migrar para o novo smartphone. Posto isto, dei início ao processo de migração de dados e dei continuação à configuração inicial do Mate 20 Pro (pese embora a app diga que não se deve abandonar a mesma durante a passagem dos dados. Alguns minutos mais tarde,fotos e vídeo,  SMS, registo de chamadas, notas, eventos na app calendário da Huawei, definições da EMUI e as aplicações e respectivos dados, estavam disponíveis no Mate 20 Pro, com a migração  a decorrer de uma forma muito eficiente, como de resto se exige num processo desta natureza.




A redução da espessura lateral do corpo em metal, aliada ao facto de o Mate 20 Pro ter menos 2,2mm de largura que o Mate 10 Pro, levam a que o smartphone seja mais fácil de utilizar com apenas uma mão. Esta situação é ainda mais curiosa, porque o Mate 20 Pro é mais comprido, pesado e tem maior espessura que o seu antecessor (3,6mm, 11g e 0,7mm, respectivamente).

O novo sistema de navegação por gestos, também contribui decisivamente para esta melhoria na experiência de utilização, com o utilizador a poder efectuar muitas acções com apenas uma mão. Os gestos são bastante simples de assimilar, com um gesto de swype de baixo para cima a minimizar a aplicação. Caso prolonguem um pouco a pressão ao executarem este gesto, vão activar a gestão das aplicações a correr em segundo plano, que agora com o Android 9 Pie, passa a ter uma navegação horizontal (curiosamente, era o sistema utilizado na EMUI 4). O mesmo gesto de swype anteriormente referido, ao ser executado nas duas laterais, vai activar o Google Assistant.





Fica a faltar a função voltar atrás, que é executada com um gesto de swype na lateral do smartphone. Ao segurar o smartphone com uma mão, este gesto acaba por não ser nada prático de efectuar, se executado a partir da lateral esquerda. Contudo, esta situação acaba por não chegar a ser um problema, pois podem efectuar o mesmo gesto na lateral direita, algo que será simples de executar com o dedo polegar.


Esta nova navegação por gestos (igual à da Xiaomi) é uma excelente evolução da doca de navegação, que a Huawei já disponibilizava na EMUI. Acaba inclusivamente, por ser uma solução melhor que a apresentada pela própria Google, pois permite ocular a barra de navegação, algo que não é possível fazer no Android 9, que apresenta dois botões nesta área (imagem em cima, à direita).



O desbloqueio do equipamento pode ser efectuado de diferentes formas, com a detecção facial e o sensor de impressão digital a serem os mais práticos. Comecemos por analisar este último.

Ao aproximarem a mão do ecrã, aparece um grafismo que identifica a zona onde devem colocar o dedo, para ser efectuado o reconhecimento do mesmo. A passagem para a frente do equipamento, não teve consequências em termos de rendimento, com o sensor a manter um nível de desempenho exemplar, sendo tão rápido como o sensor do Mate 10 Pro. Há apenas que colocar o dedo no local certo, o que pode nem sempre acontecer, pois não existe uma moldura a limitar a área do sensor. Se não acertarem à primeira, terão de "ajustar a mira" na tentativa seguinte.

A câmara para detecção da face é igualmente bastante eficiente, mas obriga a que o utilizador coloque o smartphone num ângulo que permita o scan com sucesso. Quando não estiverem numa posição ideal, basta deslocar um pouco o smartphone, para ajustar a detecção. O facto de esta poder ser efectuada num ambiente sem qualquer luz, é verdadeiramente surpreendente.

Como já ficou documentado, este sistema de desbloqueio não é o mais seguro e a própria marca faz questão de avisar o utilizador disso mesmo, aquando da configuração inicial.



Estes mecanismos de validação do utilizador, dão acesso a duas funcionalidades que permitem uma gestão mais pessoal e segura do smartphone.



Com o App Lock, podem limitar o acesso a determinadas aplicações, que apenas ficam disponíveis após reconhecimento da impressão digital. Desta forma, podem ceder o equipamento a terceiros, sem a preocupação os mesmos possam correr aplicações sensíveis.




O Private Space é outra funcionalidade que permite ao utilizador criar duas áreas distintas, algo que pode ser útil, a quem pretender separar o trabalho da vida pessoal. Desta forma, basta utilizar a uma segunda impressão digital para aceder à área privada, ficando um outro dedo atribuído à área não reservada.







Após ser detectada a face, o smartphone fica a aguardar que o utilizador passe o dedo no ecrã, para activar o mesmo. Caso assim pretendam, podem omitir este passo nas definições (dica de um leitor que tem um Huawei P10 Plus e comentou o facto, quando falávamos sobre o desbloqueio facial)



Sendo um adepto do sensor de impressão digital, optei por activar este método em conjunto com a detecção facial. Claro está que de vez em quando, ainda vou com o dedo à traseira do equipamento...

A utilização dos dois sistemas complementa-se bastante bem, apresenta contudo uma limitação. Caso a detecção facial esteja a ser efectuada, o sensor de impressão digital fica desactivado momentaneamente, o que pode dar origem a um atraso no desbloqueio do equipamento. Podem sempre não utilizar a detecção facial, deixando de existir esta limitação.




O notch é uma presença controversa, mas inevitável para quem adquirir este Mate 20 Pro. Para agradar a Gregos e a Troianos, a Huawei disponibiliza uma funcionalidade que permite ocultar a área do notch.


 Nas imagens em cima, podem ver a diferença entre as duas opções. Podem "ocultar" o notch, escurecendo a área em volta do mesmo, ou em alternativa utilizar a totalidade do ecrã, com cada a app a tirar partido desta área, consoante a opção de developer.


O ecrã tem uma resolução recomendada de 3120x1440 pixels, mas caso o utilizador assim pretenda, pode baixar a mesma, para 2340x1080 pixels, ou até mesmo 1560x720 pixels, como forma de poupar bateria.

Além da configuração manual da resolução, a Huawei disponibiliza uma gestão inteligente, que baixa a resolução, para reduzir o consumo de energia e assim aumentar a autonomia.



O ecrã always on pode ser bastante útil, mas a EMUI continua a limitar a informação que é apresentada, ficando-se pelas horas, data, sms e chamadas, não suportando aplicações de terceiros. É algo que pode e deve ser revisto, pelo que se espera que a Huawei analise esta situação.



A funcionalidade always on pode ser configurada para apenas estar activa num horário pré-definido, algo que permite por exemplo, desligar a mesma durante a noite. Desta forma, sempre poupam mais um pouco os pixels, se bem que estes terão uma previsão de vida útil superior ao tempo, que por certo irão manter o smartphone em utilização.


Uma das novidades do Android 9 Pie é o Digital Wellbeing, uma funcionalidade que a Google resolveu limitar aos Pixels e Android One.

O Digital balance é a proposta da Huawei, para responder ao Digital Wellbeing da Google. Através deste serviço, o consumidor tem acesso ao tempo de ecrã ligado, estatísticas de utilização das aplicações e numero de vezes que desbloqueou o smartphone. Desta forma, aquilo que poderia ser apenas uma duplicação de uma funcionalidade do Android, acaba por ser uma opção que acrescenta valor ao produto final.

Os utilizadores mais activos, podem definir limites para o tempo de utilização do equipamento, podendo inclusivamente especificar quanto tempo pode uma app ser utilizada. A hora de ir dormir, dá por encerrado o acesso ao smartphone.



A interface continua a apresentar um Dark Mode, que permite utilizar um fundo negro, em lugar do branco que o Android apresenta de origem. Esta funcionalidade além de poder ser mais agradável à vista (gostos...), tem a vantagem de gastar menos bateria, garantindo uma autonomia superior do smartphone.




A EMUI Desktop surge agora numa nova versão, que dispensa a utilização de um cabo para ligar o smartphone ao monitor ou televisão. O ecrã do smartphone fica disponível para utilizar como "mousepad", sendo que o utilizador tem sempre a possibilidade de ligar periféricos através da porta USB-C.

Não sendo ainda uma alternativa ao PC, é já uma ferramenta bastante útil para quem trabalha em mobilidade, permitindo a edição de documentos e a consulta de páginas web, num ecrã de grandes dimensões.


Além do modo Desktop, o utilizador tem a possibilidade de ligar o Mate 20 Pro à televisão através do modo smartphone, com a imagem a ser replicado no ecrã em que estiver a ser projectada.



No que diz respeito ao sistema de som, a Huawei fez questão de "complicar a cadeira", ao utilizar a porta USB-C para uma das saídas de som. Desta forma, quando estiverem a carregar o smartphone, é melhor não pensarem em utilizar outro sistema de som. Não que o Mate 20 Pro até não apresente uma qualidade surpreendente, atendendo ao facto de que a saída de som está obstruída pelo cabo USB-C, apenas não está ao nível da qualidade que por exemplo, o ecrã apresenta.

A Huawei volta a apostar numa segunda saída de som, fazendo uso da coluna para chamada de voz. O resultado é interessante, especialmente se comparado com o disponibilizado pelo Mate 10 Pro, com os graves a terem mais corpo e os agudos mais fortes, talvez até acima do desejável.


Em termos globais e comparativamente a outros topo de gama, o resultado está ao nível do que os melhores smartphones apresentam. No entanto, tendo em conta prestação global do equipamento e   tratando-se de um smartphone de excelência, exige-se um sistema de som com ainda maior qualidade.




Desempenho

O facto de controlar o hardware e a interface EMUI, permite à Huawei optimizar o comportamento do smartphone, tirando partido da dupla NPU, para optimizar a gestão da utilização dos oito núcleos do Kirin 980.

Em termos de desempenho, depois de ter batido o Snapdragon 835 com o Kirin 970, era espectável que o mesmo viesse a acontecer, com o Kirin 980 a bater o Snapdragon 845, nos testes de benchmark.



Havia  contudo uma dúvida que importava esclarecer, pois a Huawei tinha-se visto recentemente  envolvida num incómodo processo relacionado com os testes de desempenho. A marca chinesa já tinha vindo a público esclarecer a situação, garantindo que a nova EMUI daria ao utilizador a possibilidade de optar pelo modo de alto desempenho (performance mode), ao invés de ser a interface a activar o mesmo a quando da realização dos testes de benchmark.

Esta opção está disponível nas definições, na secção da bateria, dando assim a possibilidade de activar a mesma, sempre que o utilizador assim entenda.



Nas duas imagens em cima, podem ver o impacto do modo desempenho nos resultados no AnTuTu. Quando ligado, o Kirin 980 consegue bater o Snapdragon 845, o que faz deste Kirin, o processador (no mercado Android) mais rápido do momento.


 Os resultados obtidos pelas apps de benchmark que habitualmente utilizamos nas análises, mostram mais uma vez, que estamos na presença de um equipamento que disponibiliza um elevado desempenho. Além do desempenho do Kirin 980, há ainda que destacar a velocidade de escrita/leitura do armazenamento.




O modo de desempenho tem impacto directo na autonomia e a Huawei faz questão de lembrar isso mesmo ao utilizador, quando este o decidir activar. Claro está que se está disponível, não faria sentido outra coisa que não tirar partido deste modo de desempenho, pelo que o mesmo passou a estar sempre activado, durante o período de análise do smartphone.

Este facto acabou por não ser demasiado penalizador para a autonomia, com o Mate 20 Pro a conseguir resistir a um dia de utilização intensiva, chegando ao final do dia, com uma percentagem de carga semelhante à que o Mate 10 Pro apresenta.

Tendo em conta que a bateria tem mais 200mAh e o processador é bastante mais económico que o Kirin 970 utilizado no seu antecessor, seria de esperar que o Mate 20 Pro fosse capaz de apresentar uma autonomia superior, facto que até ao momento não se veio a concretizar. A explicação para este facto, segundo quem se dedica a estudar a fundo o assunto, prende-se com o ecrã, com este último a ser o responsável por um maior consumo de energia, que acaba por anular as melhorias no comportamento energético do processador e o aumento da bateria.




O processo de carregamento, como já tivemos oportunidade de apresentar, apresenta melhorias consideráveis, com a nova versão do SuperCharge a conseguir chegar aos 70% de carga em apenas 30 minutos. A carga completa demorou 54 minutos a ser efectuada, sendo que para usufruir deste nível de desempenho, é necessário utilizar o cabo e carregador fornecido pela marca.

Se utilizarem outro tipo de carregador ou cabo, a relação de carregamento irá baixar para os 9V/2A (power delivery) ou 5V/2A, consoante o conjunto utilizado para carregar o smartphone.

Há ainda que fazer referência ao carregamento sem fios até 15W, um valor muito acima dos habituais 5W utilizados neste tipo de carregamento. Para completar o ramalhete, temos a possibilidade de realizar um carregamento inverso, utilizando o Mate 20 Pro como fonte de energia para carregar outro smartphone que suporte o sistema de carregamento wireless.

É uma funcionalidade que por certo não será muito utilizada, mas servirá sempre para ajudar um amigo, com a Huawei a ter a Apple como principal alvo, ao disponibilizar este carregamento inverso.





O GPU Turbo apresenta-se agora numa segunda versão, com esta funcionalidade a ficar integrada nas definições do smartphone, mais precisamente na área das aplicações, com o utilizador a poder manualmente adicionar mais apps a este serviço.



Com o App Assistant, o utilizador passa a gerir os seus jogos e apps num único local.



A aceleração dos jogos (com reflexo no consumo de bateria), será por certo do agrado dos gamers, que assim poderão usufruir de um desempenho extra.


Podem ainda desactivar as notificações durante o período em que estiver a jogar, evitando assim uma interrupção que por norma seria indesejada. As notificações de chamadas, alarmes e bateria continuaram a ser apresentadas no ecrã.






A câmara

A evolução tecnológica vai obrigar à alteração do nome desta secção da análise. Longe vão os tempos de apenas uma câmara traseira e uma câmara frontal, que apenas servia para enfeitar. Hoje em dia, os smartphones são a ferramenta ideal para o apontar e disparar, disponibilizando imagens de grande qualidade.

A Huawei tem apostado forte nesta área e a parceria com a Leica tem dado frutos, com o P20 Pro a conseguir bater a concorrência, tanto na fotografia, como no vídeo. Pese embora a série Mate seja mais virada para o desempenho puro, a expectativa na área da captura de imagem e vídeo era naturalmente elevada, pois o P20 Pro tinha subido a fasquia e os novos Pixel 3 estavam a caminho.


IMAGEM iterface

Em termos de interface, o Mate 20 Pro recebe o layout apresentado no P20 Pro, com duas zonas de actuação. À esquerda, uma fila de ícones dá acesso às definições, tonalidade da cor, fotografia com movimento, flash e funcionalidade HiVision, que permite o reconhecimento de QRCODES e códigos de barras, tradução de texto, reconhecimento de produtos e de objectos.



Este último apresenta uma funcionalidade particularmente curiosa, disponibilizando informação calórica relativamente aos alimentos apresentados no ecrã, algo que poderá ajudar a conter algumas bocas mais gulosas.

À direita, duas áreas, uma com os modos de fotografia/vídeo e respectivas configurações e uma segunda zona, com o botão de disparo ladeado pelo acesso à galeria de imagens e mudança de câmara (frontal/traseira).

Em posição central, na zona inferior, o controlo do zoom, o qual pode ser configurado de duas formas, através do toque num dos três pontos (3x, 1x e Wide), ou em alternativa, deslizando o dedo entre o Wide e as 10x.

Huawei Mate 20 Pro


O Mate 20 Pro apresenta uma tripla câmara, tal como no P20 Pro, se bem que com algumas alterações, desde logo na disposição das três câmaras, que abandonam a lateral do smartphone, para passar a ocupar uma posição central, num arranjo rectangular, completado pelo flash.

O sensor monocromático, até agora imagem de marca da Huawei, sai de cena neste Mate 20 Pro, com a escolha a recair numa grande angular. As imagens a preto e branco passam a estar disponíveis através da utilização de um filtro, passando o utilizador a contar com uma maior versatilidade do trio de câmaras.

 O modo automático tem por vezes a tendência em exagerar no brilho, obrigando à configuração manual do mesmo, por forma equilibrar os tons da cor.



Para as imagens a curta distância, temos um modo super-macro, que permite obter imagens com maior detalhe das zonas a fotografar (mínimo de 2.5cm, segundo a marca). Sendo uma funcionalidade interessante, é de crer que a lente de 20MP ultra grande angular mostre toda a sua utilidade na fotografia de paisagens ou grandes áreas, como é caso dos monumentos. Nas imagens em cima, podemos ver a vantagem de poder utilizar esta lente para captar a totalidade de um navio a relativa curta distância do mesmo.




A lente telephoto de 8MP é a única que disponibiliza estabilização óptica da imagem e com o zoom 3x, permite "aproximar" os objectos a fotografar. É também através desta câmara que se conseguem os fundos desfocados, com os resultados a apresentarem grande qualidade, com os contornos bem definidos.


O sensor com 40MP (apenas com estabilização electrónica da imagem) é utilizado de forma mais genérica, permitindo um zoom híbrido de 5X, quando combinado com os 8MP da lente telephoto. Para que tal seja possível, a resolução deverá baixar para 10MP, com o pixel-binning a combinar 4 pixels num só.


A Inteligência artificial está cada vez mais presente, sendo capaz de reconhecer mais de 1500 cenários, divididos por 25 categorias. Desta forma, a cor, brilho e contraste são ajustadas de forma automática, para conforto do utilizador, dando origem a resultados de grande qualidade, na grande maioria das ocasiões.






Quando tal não acontece, basta o toque no ecrã para cancelar a configuração do cenário detectado, algo que já era possível no P20 Pro. Nas duas imagens em cima, podemos ver um exemplo desta situação, com o modo por do sol a disponibilizar uma imagem com mais luz, mas diferente do ambiente real.



A câmara frontal com 24MP permite fazer umas brincadeiras engraçadas com a realidade virtual, clonando os movimentos de olhos e boca. O resultado pode ser salvo em formato GIF, para posterior partilha. Os resultados são satisfatórios, se bem que o processamento da imagem seja por vezes exagerado, com a pele a ficar demasiado lisa, mesmo com o modo de embelezamento desligado.




Apreciação Final


A fasquia estava elevada e o Mate 20 Pro foi capaz de estar à altura das expectativas, cumprindo o que se espera de um topo de gama, havendo contudo ainda margem para algumas melhorias.

O degin foi renovado, com o smartphone a apresentar-se mais esbelto, ao mesmo tempo que mantém o nível de qualidade de construção que a marca tem vindo a apresentar nos últimos anos.  O formato torna a utilização mais confortável, sendo muitas vezes possível executar muitas acções com apenas uma mão.

Em termos de desempenho, estamos na presença do melhor que actualmente está disponível no mercado, com um processador cada vez mais inteligente na gestão dos processos, reconhecimento facial e um sensor de impressão digital sobre o ecrã, que permitem maior comodidade no desbloqueio do smartphone e um ecrã que apresenta uma melhoria considerável em termos de qualidade de imagem. Este último não fica no entanto isento de críticas, visto pesar mais do que o desejado na autonomia do smartphone. Não que este não permita mais de um dia intensivo de utilização, apenas teria condições para ser ainda melhor, caso o ecrã fosse mais poupado em termos de consumo energético.

As câmaras foram revistas, assim como a interface, que passa a apresentar o mesmo layout disponibilizado com a série P20. O trio de sensores complementa-se bastante bem, permitindo uma utilização em diferentes cenários de utilização, sempre com resultados de elevada qualidade, havendo apenas que ter em conta a tendência para puxar em demasia pelo brilho .

O software da câmara passa a estar em linha com o apresentado na série P20. É mais simples de utilizar, deixando as opções mais comuns à distância de um slide lateral. A inteligência artificial está cada vez mais presente, facilitando a vida ao utilizador e a realidade aumentada é um filão que começa a ser explorado, apresentando já resultados muito interessantes.

Estas são razões mais que suficientes para justificar o muito desejado "Escaldante", só ao alcance dos melhores em cada segmento de mercado.

O Mate 20 Pro está disponível em três cores, Preto, Azul (Midnight Blue, com um acabamento diferente na traseira) e Twilight (a versão testada), com um preço recomendado de 1049€. Neste momento, pode ser encontrado em promoção por 893€, o que o torna numa opção ainda mais apetecível. O preço é efectivamente o ponto que irá causar mais preocupação ao consumidor. Pelo acima exposto, esperamos ter ajudado a clarificar as dúvidas relativamente a este assunto.


Huawei Mate 20 Pro
Escaldante


Prós

  • Desempenho
  • Trio de câmaras
  • AI cada vez mais útil

Contras

  • Preço
  • Autonomia poderia ser ainda melhor
  • Brilho das fotos no modo automático

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