06/10/2020

06/10/2020

Análise ao TCL 10 Pro



Depois de no final de 2019 testar o mercado Ocidental com o Plex, a TCL regressa ao mercado de gama média com duas novas propostas, o TCL 10 L e o TCL 10 Pro, sendo que é sobre este último que versa esta análise.


Unboxing


O smartphone surge em primeiro plano, envolto num plástico onde a marca dá destaque ao slogan "Display Greatness", que acompanha os novos modelos, com a tecnologia NXTVISION a prometer uma experiência multimédia melhorada.



Dentro da caixa, a documentação de referência, uma sempre útil capa de silicone, cabo USB-C e carregador, havendo a salientar a ausência de uns auriculares, algo pouco comum num equipamento no segmento de preço em que este TCL 10 Pro se insere.




O carregador repete as especificações do Plex, apresentando três relações de carregamento, 5V/3A, 9V/2A e 12V/1,5A, permitindo por isso carregamento rápido a 18W. Mais uma vez, acaba por não ser nada de transcendente, mas é suficiente para evitar demoras prolongadas, como tivemos oportunidade de comprovar nos testes que levámos a cabo.


O TCL 10 Pro

A TCL apostou forte no 10 Pro, colocando-o num segmento de preço muito aliciante, o que acaba por também colocar o smartphone em comparação directa com opções igualmente interessantes de outras marcas.

O design foi uma das grandes apostas, com a TCL a apresentar um smartphone com linhas que habitualmente são encontradas nos equipamentos de gama alta. A semelhança com os novos Galaxy é prova disso mesmo, com o TCL 10 Pro a ficar muito bem na fotografia.




Os 9,2mm de espessura poderiam apontar para um smartphone robusto, mas na verdade, o TCL 10 Pro acaba por ser esbelto. Como curiosidade o facto de as laterais superior e inferior apresentarem um acabamento plano, que chega mesmo a permitir colocar o smartphone na vertical sobre uma mesa, algo que contudo não se aconselha, pois o vidro poderá não gostar de um inesperado desequilíbrio.




A lateral tem apenas cerca de 3mm, com curvatura do vidro traseiro e frontal a permitirem um encaixe muito conformável na mão, que também beneficia dos 72,4mm de largura, valor bastante simpático para os tempos que correm.




A frente prima pela simplicidade, com o notch gota de água na zona superior central a ser a única excepção. Por cima deste, uma grelha para a saída de som da coluna para as chamadas de voz, não sendo esta coluna utilizada na reprodução de conteúdos multimédia.




Na zona inferior, um sensor de impressão digital sob o ecrã.




As margens não sendo ultra finas, são contudo reduzidas, com 3mm na zona superior e ~4mm na zona inferior. Nas laterais, o ecrã acompanha curvatura do vidro frontal, cobrindo cerca de metade desta, ficando a margem com ~2mm de cada lado.




A traseira apresenta um design muito bem conseguido, que mais uma vez prima pela simplicidade. A unidade de teste apresenta um gradiente cinza que varia com a incidência da luz. Tem ainda a grande vantagem de disfarçar as dedadas, algo que contribui para manter o smartphone sempre bem apresentado.




Esta zona apresenta duas inscrição, uma com o nome da marca  e outra zona zona inferior, com o modelo, mas o destaque vai para o bloco de quatro câmaras, que surge enquadrado pelo duplo flash.




Na lateral inferior, saída de som, um microfone, porta USB-C e o slot para os cartões, o qual permite a instalação de dois micro SIM ou em alternativa, um micro SIM e um cartão microSD.




Na lateral oposta , um segundo microfone, um sensor de infra-vermelhos e uma entrada para um jack de 3,5mm, algo já pouco visto nos dias que correm. Tendo em conta que a TCL aposta neste tipo de ligação, torna-se ainda mas estranha a ausência dos auriculares na caixa.




No lado direito, botão de power e volume.




Do lado esquerdo, uma sempre útil "smart key", para acesso rápido ao assistente da Google.


Hardware

No que diz respeito a hardware, a TCL acabou por ser bastante mais conservadora do que no caso do design e qualidade de construção, acabando mesmo por deixar a sensação que poderia/deveria ter ido mais além, nomeadamente no que ao processador diz respeito. Ao apostar exactamente no mesmo Snapdragon 675 (Octa-core Qualcomm Kryo 460 2x Gold 2.0 GHz, 6x Silver 1.7GHz com GPU Adren 612) que equipa o TCL Plex, a marca coloca-se numa situação ingrata, pois a memória RAM e o armazenamento repetem igualmente a fórmula do Plex, com 6GB + 128GB UFS 2.1.



O ecrã, esse sim, recebeu um upgrade, passando de um IPS para um AMOLED, com margens laterais curvas. As 6,47" apresentam uma resolução de 1080 x 2340 pixels, numa relação 19.5:9 com 398 ppp. A bateria também foi alvo de melhoria, apresentado maior capacidade com 4500mAh.

As câmaras passam a contar com mais uma unidade, apresentando-se agora num versátil quarteto com:
  • 64 MP, f/1.8, 26mm (wide), 1/1.72", 0.8µm, PDAF
  • 16 MP, f/2.4, 13mm (ultrawide), 1/3.1", 1.0µm
  • 5 MP, f/2.2, (macro)
  • 2 MP, f/2.4, (profundidade)

Na frente, um sensor de 24 MP, f/2.0, 26mm (wide), 1/2.8", 0.9μm.

Um sensor de infravermelhos e a passagem do sensor de impressões digitais para baixo do ecrã, são outras das novidades apresentadas no TCL 10 Pro, que surge a correr Android 10 com um patch de segurança de Março (Janeiro na imagem), tendo a marca garantido a actualização para o Android 11.


Em utilização




O TCL Plex já tinha deixado uma impressão bastante positiva, com a marca chinesa a não inventar no que diz respeito à interface. O TCL 10 Pro segue o mesmo caminho, apresentando algumas das já esperadas melhorias, com o sistema de navegação por gestos a passar a seguir as orientações definidas pela Google. Curiosamente, caso não sejam fãs deste sistema de navegação por gestos, podem sempre optar por uma proposta na linha do apresentado pela Samsung, com três áreas na zona inferior no ecrã. Os mais conservadores continuam a ter nos botões virtuais uma opção para quem não gostar da navegação por gestos.




O bloatware é reduzido e passível de ser desinstalado, pelo que se não pretenderem utilizar o Microsoft News, Netflix, Facebook, Booking ou jogar o Modern Combat Rebel Guns, já sabem o que têm de fazer.

Outra boa notícia está no Feed da Google, que tomou o lugar do Smart Panel, não havendo por isso necessidade de estar a instalar um laucher alternativo, para ter acesso a esta funcionalidade.




Do lado direito do ecrã, encontra-se uma área sombreado que dá acesso à Edge Bar, mais uma funcionalidade inspirada nas propostas da Samsung. Esta barra pode ser colocada em qualquer zona das duas laterais e permite chamar aplicações, contactos ou utilizar a lateral como uma pequena régua. Caso não vejam interesse nesta Edge Bar, podem simplesmente desactivar a mesmas nas definições.

A Smart Key continua a marcar presença, mas por razões que até ao momento não foi possível esclarecer, passa a estar limitada na sua utilização, deixando de dar acesso a três funcionalidades, passando apenas a chamar o assistente da Google.




A tecnologia NXTVISION  e o suporte para HDR10, potenciam o ecrã AMOLED, apresentando cores fortes e vibrantes, mesmo sobre forte luz solar. Não que as 6,47" sejam o formato ideal para consumo de vídeo, mas sempre que tal seja necessário, o TCL 10 Pro garante uma boa qualidade de imagem, que só não atinge níveis superiores devido ao som estar limitado à zona inferior do ecrã. Não que a qualidade sonora desiluda, bem pelo contrário, mas num ecrã destes justificaria um sistema estéreo, para uma experiência mais imersiva. 

O reconhecimento facial apresenta-se muito mais eficiente, sendo agora bastante mais eficaz em zonas com pouca iluminação. O sensor de impressão digital é eficiente na leitura, estando ao nível dos sensores de primeira geração, apresentando algum atraso no tempo de resposta, tanto no início da leitura, como no seu reconhecimento. Há que primeiro colocar o dedo sobre a zona do ecrã onde se encontra o sensor para o activar e só 1 ou dois segundos depois, é que o reconhecimento é efectuado. Esta situação é facilmente detectada se depois de ligarem o smartphone, desligarem o ecrã e voltarem a tocar no sensor, com o reconhecimento a ser feito de imediato, devido a facto de o sensor estar activo.




Os efeitos de luz nas notificações e carregamento vão ser um facto de destaque, garantindo aquele inesperado "uauuu!!!" quando são apresentados no ecrã. A sua utilização parece no entanto estar limitada a algumas apps, não tendo sido identificada uma forma de configurar a utilização deste sistema de efeitos de luz




Com uma relação de carregamento de 9V/~2A, o TCL Plex chega aos 35% de carga em 30 minutos. Com uma hora de carregamento atinge uma percentagem de carga perto dos 72%. A partir dos ~80%, a tensão baixa para os 7V e a intensidade para 1,25A, sendo que aos 90% cai para 0,48A. A carga completa leva duas horas e seis minutos, pelo que já sabem que o melhor será deixar o smartphone a carregar e "ir dar uma volta".

Desempenho



Neste campo, não eram esperadas grandes novidades, pois as únicas alterações a registar são a utilização do ecrã AMOLED e um aumento de ~700mAh na bateria, com o restante hardware a ser herdado do TCL Plex. 



Este facto tem implicação directa na autonomia do smartphone, com o TCL 10 Pro a conseguir mais 1000 pontos no teste de autonomia do Geekbenck 4 Pro, garantindo um dia de utilização sem preocupações.




O generoso armazenamento com 128GB não é propriamente ultra rápido, registando ~500MB/s em leitura e 190MB/s em escrita, valores que estão em linha com os obtidos no modelo lançado no ano anterior.





No caso do CPU, o Snapdragon 675 apresenta um comportamento curioso, com o Geekbench 5 a registar um desempenho muito superior no teste multi-core. Acaba no entanto por saber a pouco, pois o processador é claramente o parente pobre no que ao hardware diz respeito, com o conjunto a merecer uma aposta capaz de um desempenho superior, algo que no entanto ficou reservado para o modelo 5G.



As câmaras



A TCL procurou maximizar o trabalho já desenvolvido, apresentando neste TCL 10 Pro um quarteto de câmaras que tem por base o trio disponibilizado no Plex. Mantém-se o sensor de 16MP ultra wide e 2MP profundidade, o sensor wide passou para 64MP (Samsung), com o quarteto a ficar completo com um sensor de 5MP para captura de imagens macro.




 A interface da câmara não apresenta novidades. À esquerda uma fila de ícones, com os filtros (em tempo real), controlo do flash, temporizador, HDR, formato da imagem e definições.À direita, ou na zona inferior do ecrã, consoante a sua orientação, uma fila de modos de fotografia/vídeo e uma segunda fila, com um ícone para alterar a câmara traseira e frontal, o botão de disparo, atalho para o Google Lens e o acesso à galeria. São apresentados ainda três ícones na zona superior do ecrã, para acesso ao zoom, modo ultra wide e um preview, com as três câmaras em simultâneo.




Além do modo automático, Pro, Super Noite, retrato e vídeo, estão ainda disponíveis mais algumas opções, que permitem obter efeitos interessantes, tanto em fotografia como em vídeo.


TCL 10 Pro


Em modo automático, as cores são fortes e vivas, um pouco acima do desejado diria, aparecendo com elevada saturação. Não deixa contudo de ser um efeito muito agradável à vista, com as fotografias em zonas bem iluminadas a saírem muito vibrantes, algo que fica a faltar nas imagens com a lente ultra wide. O campo de visão aumenta, permitindo englobar um maior número de elementos na imagem, mas as cores são bastante mais esbatidas e o detalhe também é inferior, sobre tudo quando a luz solar é mais reduzida.

A lente macro permite obter imagens interessantes a curta distância, mas mais uma vez necessita de boa luz para conseguir um bom nível de detalhe. O zoom vai até às 10x, mas tudo o que passe as 2x já é pura perda de tempo, com os resultados a ficarem aquém do desejado. Já o modo "Super Night" revelou-se bastante interessante, embora tenha tendência para puxar em demasia pelos brancos, alterando a tonalidade da imagem, para compensar o nível de detalhe disponibilizado. Este efeito fica bem visível em duas das imagens em cima, com o banco e radiador no centro da imagem, a aparecem muito mais bem definidos, à custa da já referida alteração de tons das cores.



Apreciação final



A TCL quase que duplica o preço do smartphone, mantendo o processador, memória RAM e armazenamento. Não que estes sejam os únicos elementos a ter em conta, mas são garantidamente os pilares do desempenho global do equipamento. Numa análise fria às especificações, este TCL 10 Pro seria um smartphone claramente fora de tempo.

O consumidor irá por certo ver a questão de outra forma, havendo uma larga franja a ficar rapidamente enamorada pelo bem conseguido design deste smartphone, onde até o módulo de câmaras surge sem qualquer protuberância, algo que hoje em dia é cada vez menos visto. E não há nada como um amor à primeira vista, não é verdade?

O software não apresenta grandes modificações, com a TCL a optar por concentrar a sua atenção no desenvolvimento de funcionalidades que acrescentam valor ao produto. Com o Android 11 garantido pela marca, as actualizações serão um problema menor, sendo que esta é uma das áreas onde a marca chinesa tem forçosamente de melhorar, como demonstra o patch de segurança, que nesta altura ainda data de Março!

Em termos globais, trata-se de um equipamento muito bem conseguido, que vai tocar em alguns dos principais aspectos que os consumidores procuram num smartphone, com o design, bateria e câmaras a estarem em primeiro plano. O facto de ficarem com um processador já com algum tempo de mercado, vai acabar por pesar pouco na balança, não podendo contudo ser ignorado na nossa avaliação final, razão pela qual este TCL 10 Pro se fica por um prestigiante "QUENTE".



TCL 10 Pro

Quente

Prós

  • Design
  • Conforto em utilização


Contras

  • Processador merecia um upgrade
  • Velocidade do armazenamento
  • SmartKey só tem uma função









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