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20/03/2023

20/03/2023

Android Vishing Malware ataca sector bancário (na Coreia do Sul)


Ainda anda por longe, mas rapidamente pode cá chegar, pelo que há que continuar a ter toda a atenção, para não correr riscos. 

Check Point Research (CPR) alerta sobre novos vishing malware concebidos para oferecer empréstimos falsos de instituições financeiras líderes a pessoas na Coreia do Sul. Denominado "FakeCalls", o malware Android imita aplicações de e-banking para fornecer falsas ofertas de empréstimos com taxas de juro baixas, a fim de atrair as suas vítimas a confirmar os seus números de cartão de crédito através de chamadas telefónicas fraudulentas.

Este tipo de ataque é conhecido como "vishing", ou seja phishing de voz.

 

O Esquema de Ataque

A ideia por detrás do phishing de voz é enganar a vítima, fazendo-a pensar que existe um verdadeiro empregado do banco do outro lado da chamada. Quando a conversa desenrola, o número de telefone dos operadores de malware, desconhecido da vítima, é substituído por um número bancário real.

 

As vítimas ficam então com a impressão de que a conversa é feita com um banco real e o seu empregado real. Uma vez estabelecida a confiança, a vítima é enganada para "confirmar" os detalhes do cartão de crédito na esperança de se qualificar para o empréstimo (falso).


 


Técnicas de Evasão

Os criadores de malware prestaram especial atenção à proteção do seu malware, utilizando várias evasões únicas que não tínhamos visto anteriormente. O CPR viu várias formas de como os criadores de malware tentaram manter os seus verdadeiros servidores de Comando e Controlo (C&C) escondidos: lendo os dados via solucionadores dead drop Google Drive ou utilizando um servidor Web arbitrário. No total, a CPR descobriu mais de 2500 amostras do malware FakeCalls que utilizavam uma variedade de combinações de organizações financeiras imitadas e implementaram técnicas anti-análise.

 

Alexander Chailytko, Cyber Security, Research & Innovation Manager na Check Point Software comenta: "Detetámos um novo malware de phishing de voz a imitar instituições financeiras que são nomes familiares na Coreia do Sul. FakeCalls malware possui a funcionalidade de um canivete suíço, capaz não só de conduzir o seu objetivo principal mas também de extrair dados privados do dispositivo da vítima. Os criadores de malware tiveram especial cuidado com os aspetos técnicos da sua criação, bem como com a implementação de várias técnicas anti-análise únicas e eficazes. Além disso, conceberam mecanismos para a resolução disfarçada dos servidores de Comando e Controlo por detrás das operações. Os truques e abordagens utilizados neste malware em particular podem ser reutilizados noutras aplicações destinadas a outros mercados em todo o mundo. Recomendo vivamente aos utilizadores do Android na Coreia do Sul que não forneçam qualquer informação pessoal por telefone e desconfiem de chamadas telefónicas a partir de números desconhecidos".

 

Como Ficar Seguro:

  1. Não forneça qualquer informação pessoal por telefone
  2. Esteja atento a pausas ou atrasos invulgares antes de uma pessoa falar
  3. Evitar responder a chamadas telefónicas desconhecidas
  4. Pedir ao autor da chamada para verificar ou transmitir factos chave, tais como o URL do website ou o seu título de emprego
  5. Não pressione nenhum botão ou fale qualquer resposta a qualquer mensagem automática, pois os cibercriminosos podem gravar a sua voz
 
05/06/2022

05/06/2022

Descoberta vulnerabilidade crítica em chip UNISOC


Esta situação afeta 11% dos smartphones a nível mundial.


A Check Point Research (CPR), área de Threat Intelligence da Check Point® Software Technologies Ltd, fornecedor líder de soluções de cibersegurança a nível global, identifica vulnerabilidade crítica de segurança em chip UNISOC responsável pela comunicação móvel de 11% dos telemóveis do mundo. Deixada por resolver, a vulnerabilidade permitiria a um atacante neutralizar ou bloquear comunicações. A investigação da CPR marca a primeira vez em que um chip da UNISOC foi sujeito a técnicas de engenharia inversa para examinação de falhas de segurança. Quando comunicada à UNISOC, a vulnerabilidade foi classificada com um 9.4 em 10 no grau de criticidade.

 

Investigação pioneira

A investigação da CPR marca a primeira vez que o modem UNISOC foi alvo de uma tática de engenharia inversa e investigado quanto à existência de vulnerabilidades. A CPR digitalizou os processadores de mensagens NAS num curto período de tempo, encontrando uma vulnerabilidade, que poderia ser utilizada para perturbar a comunicação rádio do dispositivo. Um hacker ou unidade militar poderiam aproveitar-se desta vulnerabilidade para neutralizar as comunicações numa localização específica.

 

A CPR partilhou as suas conclusões com a UNISOC em maio de 2022, que identificaram a vulnerabilidade, classificando-a com um 9.4 em 10 no grau de criticidade. Desde aí, a UNISOC lançou uma patch, CVE-2022-20210. A Google confirmou que irá publicar a patch no próximo Boletim de Segurança para Android. A Check Point recomenda todos os utilizadores a manter, em todos os momentos, o software dos seus smartphones atualizados.

 

Somos os primeiros a utilizar a técnica de engenharia inversa e a investigar o modem UNISOC quanto a possíveis vulnerabilidades. Encontrámos uma vulnerabilidade no modem UNISOC, integrado em 11% dos smartphones. Um atacante poderia utilizar uma estação de rádio para enviar um pacote de malformações que reiniciaria o modem, impedindo o utilizador de comunicar. Caso fosse deixada por resolver, a comunicação móvel poderia ser bloqueada pelo atacante. A vulnerabilidade está no firmware do modem, e não no próprio Android. Não há nada que os utilizadores de Android possam fazer de momento, mas recomendamos vivamente que seja aplicada a patch que será lançada pelo Google no próximo Boletim de Segurança para Android,” afirma Slava Makkaveev, Reverse Engineering & Security Research attorneys da Check Point Software.

  
16/09/2021

16/09/2021

Vulnerabilidade no WhatsApp colocava segurança em questão


Felizmente, este é um assunto que já se encontra resolvido. 

A Check Point Research (CPR), área de Threat Intelligence da  Check Point® Software Technologies Ltd. (NASDAQ: CHKP), fornecedor líder global de soluções de cibersegurança, denunciou uma vulnerabilidade de segurança presente na aplicação de mensagens instantâneas, WhatsApp. Se explorada com sucesso, mais de 2 mil milhões de utilizadores teriam a segurança dos seus dados comprometida, com atacantes a conseguir aceder a informação sensível presente na memória do WhatsApp. A Check Point comunicou de imediato as suas conclusões aos responsáveis da aplicação que resolveram o problema, lançando uma patch de segurança.

 

Filtros de imagem

A vulnerabilidade encontrava-se na funcionalidade que permite adicionar filtros às imagens. Neste processo, os pixels da imagem original são modificados para obter um outro efeito visual, como o desfoque ou nitidez. Durante a sua investigação, a Check Point Research descobriu que alternar vários filtros aquando da edição de ficheiros GIF fazia com que o WhatsApp fosse abaixo. Um dos colapsos, indica a CPR, foi identificado como efeito de corrupção de memória. A vulnerabilidade foi de imediato comunicada ao WhatsApp, que a descreveu como um problema fora dos limites de leitura e escrita. A exploração bem-sucedida da vulnerabilidade exigiria que o atacante aplicasse filtros de imagem específicos a imagens especialmente trabalhadas, permitindo, depois, que a imagem resultante fosse enviada.

 

Estima-se que sejam enviadas mais de 55 mil milhões de mensagens diariamente pelo WhatsApp, com 4.5 mil milhões de fotos e mil milhões de vídeos partilhados por dia. Em Portugal, de acordo com o Data Reportal, 61% dos utilizadores de internet têm WhatsApp. 

 

A Check Point Research partilhou as suas conclusões com o WhatsApp no dia 10 de novembro de 2020. Os responsáveis da aplicação verificaram e reconheceram a fragilidade de segurança, para a qual emitiram uma patch na versão 2.21.2.13, destacando a vulnerabilidade CVE-2020-1910 na atualização February Security Advisory.

 

Com mais de 2 mil milhões de utilizadores ativos, o WhatsApp é, de facto, um alvo atrativo para os atacantes. Assim que descobrimos a vulnerabilidade de segurança, reportámos de imediato as nossas conclusões ao WhatsApp que foi cooperativo na resolução do problema. O resultado dos nossos esforços coletivos é um WhatsApp mais seguro para os utilizadores de todo o mundo,” afirma Oded Vanunu, Head of Products Vulnerabilities Research at Check Point.

 

A declaração oficial dos responsáveis do WhatsApp:

“Trabalhamos regularmente com especialistas de segurança que ajudam a melhorar as variadas formas através das quais o WhatsApp protege as mensagens das pessoas, e apreciamos o trabalho que a Check Point faz para investigar todos os cantos da nossa app. As pessoas não devem duvidar que a encriptação ponto-a-ponto continua a funcionar como pretendido, e que as suas mensagens se mantém seguras e protegidas. Este relatório envolve os múltiplos passos que o utilizador teria de dar e não temos quaisquer razões para acreditar que os utilizadores poderiam ser impactados por este bug. Dito isto, mesmo os mais complexos cenários identificados pelos especialistas podem ajudar a aumentar o nível de segurança dos utilizadores. Tal como acontece com qualquer produto tecnológico, recomendamos que os utilizadores mantenham os seus sistemas operativos e aplicações atualizados, façam download das atualizações assim que disponíveis, que denunciem mensagens suspeitas, e que nos contactem se tiverem qualquer problema com o Whatsapp.”

  
27/05/2021

27/05/2021

Nova vaga de apps na Play Store a expor dados dos utilizadores


Dados pessoais de 100 milhões de utilizadores foram expostos por apps disponíveis na Google Play Store. 


Investigação da Check Point Research (CPR), área de Threat Intelligence da  Check Point® Software Technologies Ltd. , fornecedor líder global de soluções de cibersegurança, revela que mais de 100 milhões de utilizadores tiveram os seus dados expostos por programadores de aplicações móveis.

 

Depois de examinar 23 aplicações móveis para Android disponíveis na Google Play Store, a CPR viu inúmeros programadores de aplicações a utilizarem indevidamente serviços cloud de terceiros, tais como bases de dados em tempo real, gestores de notificações e armazenamento cloud. A utilização indevida resultou na exposição de dados não só dos próprios programadores, como dos utilizadores das apps. Entre as informações expostas incluíam-se e-mails, mensagens de chat, localização, palavras-passe, fotografias, entre outros.

 

Má configuração de bases de dados em tempo-real

Uma base de dados em tempo-real está em constante funcionamento e atualização, ao contrário da informação que é, por exemplo, armazenada num disco. Os programadores de aplicações dependem de bases de dados em tempo-real para armazenar dados na cloud. A CPR conseguiu aceder com sucesso a informações sensíveis de bases de dados em tempo-real de 13 aplicações para Android, com 10 000 a 10 milhões de downloads. Se um agente malicioso obtivesse acesso aos mesmos dados extraídos pela CPR, poderia levar a cabo uma série de ataques, como fraude, roubo de identidade ou o chamado service-swipe, tática em que se procura aceder a outras plataformas com os dados obtidos para um serviço.

 

Três exemplos de aplicações vulneráveis encontradas na Google Play Store:

 

Nome da App

Descrição

Dados extraídos

Nº de Downloads

Astro Guru

App de astrologia, horóscopo e leitura de mãos

Nome, data de nascimento, género, localização, e-mail e detalhes de pagamento

10 milhões

T’Leva

App de táxis

Registo de mensagens entre condutores e passageiros, bem como os nomes completos dos utilizadores, números de telefone e as localizações de viagem (de partida e destino)

50,000

Logo Maker

Design gráfico grátis e templates de logotipos

E-mail, palavra-passe, nome de utilizador, ID de utilizador

10 milhões

 

Chaves de serviços de notificações push integradas nas apps

Os programadores precisam de enviar notificações push para interagir com os utilizadores. A maioria dos serviços de notificações push requer uma chave para reconhecer a identidade do remetente do pedido. A CPR encontrou estas chaves incorporadas em várias aplicações. Apesar das informações dos serviços de notificações push não serem sempre sensíveis, a possibilidade de enviar notificações em nome do programador é mais do que suficiente para atrair agentes maliciosos.

 

Chaves de armazenamento Cloud integradas nas apps

O armazenamento Cloud em aplicações móveis é uma solução simples para aceder a ficheiros partilhados tanto pelo programador, como pela aplicação instalada. A CPR encontrou aplicações na Google Play cujas chaves de encriptação da Cloud foram expostas. Abaixo, dois exemplos:

 

Nome da App

Descrição

Dados extraídos

Nº de Downloads

Screen Recorder 

Utilizada para gravar o ecrã do dispositivo e guardar as gravações num serviço Cloud

Acesso às gravações guardadas

+ de 10 milhões

iFax

Envia e recebe faxes através do telefone gratuitamente

Transmissões de fax armazenadas

500,000

 

A maioria das apps que analisámos ainda estão a expor dados neste momento. Em última análise, as vítimas tornam-se especialmente vulneráveis a roubos de identidade, phishing e vários outros vetores de ataque. A última investigação da Check Point revela uma realidade preocupante, onde os programadores das aplicações colocam em risco não só os seus dados, mas os dos próprios utilizadores,” começa por dizer Aviran Hazum, Manager of Mobile Research da Check Point SoftwarePor não terem seguido as melhores práticas aquando da configuração e integração de serviços cloud terceiros nas suas aplicações, dezenas de milhões de dados de utilizadores privados foram expostos. Esperamos que a nossa investigação incentive a comunidade de programadores a ser extra cuidadosa com a forma como usam e configuram este tipo de serviços. Para resolver o problema, os programadores têm agora de passar a limpo as suas aplicações à procura das vulnerabilidades que demos a conhecer.”

 

A CPR contactou a Google e cada um dos programadores responsáveis pelas aplicações antes da divulgação da presente investigação e uma das aplicações alterou as suas configurações. Para mitigar os riscos descritos, a CPR recomenda a instalação de uma solução móvel de defesa que consiga detetar e responder a uma variedade de ataques diferentes, fornecendo, ao mesmo tempo, uma experiência de utilização simples e acessível.

  
02/05/2021

02/05/2021

Telegram utilizado para disseminar Malware

Novo ataque de malware, desta vez via Telegram.


A Check Point Research, área de Threat Intelligence da Check Point® Software Technologies Ltd., fornecedor líder global de soluções de cibersegurança, alerta para a nova tendência de ataque entre ciberatacantes na qual o Telegram, a aplicação de mensagens instantâneas com mais de 500 milhões de utilizadores ativos, é utilizado como sistema de controlo e comando para disseminar malware pelas organizações. Mesmo nos casos em que a app não está instalada ou não é utilizada, o sistema permite aos atacantes enviar comandos e operações maliciosos remotamente, sujeitando os destinatários a sérios riscos.

 

Nos últimos três meses, a Check Point Research identificou mais de 130 ciberataques utilizando um Remote Access Trojan (RAT) apelidado de ‘ToxicEye’. Um RAT é um tipo de malware que confere ao atacante controlo total do sistema de um utilizador. O ToxicEye é gerido pelos hackers através do Telegram, comunicando com o servidor do atacante e extraindo dados para lá. Distribui-se através de e-mails de phishing que contêm ficheiros .exe maliciosos que, uma vez abertos, dão início à instalação do malware no computador da vítima e ao desenrolar de uma série de explorações que passam despercebidas.

 

Perigos do RAT no Telegram

Qualquer RAT utilizando este método tem a sua própria funcionalidade. A CPR identificou, contudo, um número de capacidades-chave que caracterizam a maioria dos ataques observados recentemente:

  • Funcionalidades de roubo de dados: o RAT pode localizar e roubar palavras-passe, informações de computador, histórico de navegação e cookies;
  • Controlo de ficheiros: é capaz de eliminar e transferir ficheiros, encerrar processos ou assumir o gestor de tarefas do PC;
  • I/O hijacking: o RAT pode implementar um keylogger, gravar áudio e vídeos do ambiente envolvente do utilizador através da câmara e do microfone do computador ou, até, roubar os conteúdos do clipboard;
  • Funcionalidades de Ransomware: consegue encriptar ou desencriptar ficheiros do computador infetado.

 

Cadeia de infeção

A CPR definiu a cadeia de infeção do ataque da seguinte forma:

  1. O atacante começa por criar uma conta de Telegram e um bot. Um bot de Telegram é uma conta remota com a qual os utilizadores podem interagir.
  2. O token do bot é agrupado com o malware escolhido.
  3. O malware é disseminado através de campanhas de mail spam e enviado como anexo. Um dos exemplos identificados pela CPR tinha um ficheiro anexado denominado ‘paypal checker by saint.exe’.
  4. A vítima abre o anexo malicioso que a conecta ao Telegram. Qualquer vítima infetada com o payload malicioso pode ser atacada através do bot do Telegram, que conecta o dispositivo do utilizador de volta ao servidor C&C do Telegram do atacante.
  5. O atacante adquire total controlo sobre a vítima e pode executar uma série de atividades maliciosas.

 

Porquê o Telegram?

A mais recente investigação da Check Point Research revela uma crescente popularidade do malware baseado na aplicação Telegram, o que em muito se deve também à cada vez maior atenção que o serviço de mensagens online tem tido em todo o mundo. Dezenas de novos tipos de malware baseados no Telegram foram encontrados como “armas de reserva” em repositórios de ferramentas de hacking do GitHub. Os cibercriminosos percecionam o Telegram como uma parte imprescindível dos seus ataques devido a um número de benefícios operacionais:

  • O Telegram é um serviço legítimo, estável e de fácil utilização que não está sinalizado pelas soluções de antivírus nem pelas ferramentas de gestão de rede.
  • Mantém o anonimato, já que o processo de registo requer apenas o número de telemóvel.
  • As funcionalidades de comunicação únicas do Telegram permitem aos atacantes extrair facilmente dados dos computadores das vítimas ou transferir novos ficheiros maliciosos para dispositivos infetados.
  • O Telegram possibilita ainda que os atacantes utilizem os seus dispositivos móveis para aceder a computadores infetados a partir de quase qualquer localização do mundo.

 

Descobrimos uma tendência crescente em que os autores do malware usam a plataforma do Telegram como um sistema de command & control muito fora da caixa para a distribuição de malware pelas organizações. Este sistema permite que o malware receba futuramente comandos e operações remotamente utilizando o serviço do Telegram, mesmo que a plataforma não esteja instalada ou seja sequer usada,” começa por dizer Idan Sharabi, R&D Group Manager da Check Point Software Technologies. “O malware que os hackers utilizaram neste caso é facilmente encontrado em sítios acessíveis como o GitHub. Acreditamos que os atacantes estão a aproveitar o facto de o Telegram ser utilizado e permitido em quase todas as organizações para implementar ciberataques sem quaisquer restrições de segurança. Dado que o Telegram pode ser utilizado para distribuir ficheiros maliciosos ou como canal de command & control remoto de um malware, é totalmente expectável que, no futuro, sejam desenvolvidas outras ferramentas que se aproveitem desta plataforma,” acrescenta o responsável.

 

Saiba se está a ser atacado e mantenha-se protegido

  1. Procure por um ficheiro chamado C:\Users\ToxicEye\rat.exeSe o encontrar no computador é porque está infetado. Neste caso, deve imediatamente contactar a sua helpdesk e apagar o ficheiro do sistema.
  2. Monitorize o tráfego gerado entre computadores da sua organização e contas de Telegram C&C. Se for detetado e se o Telegram não está instalado enquanto solução empresarial, pode ser indício de que a segurança foi comprometida.
  3. Esteja atento aos anexos que contêm nomes de utilizador. E-mails maliciosos utilizam frequentemente o username da vítima como assunto ou nome do ficheiro anexado. Não abra estes anexos, apague os e-mails e não responda ao remetente.
  4. Tenha cuidado com remetentes anónimos ou desconhecidos. Receber um e-mail de um remetente não listado ou cujo nome não é revelado pode indicar que o e-mail é malicioso ou de phishing.
  5. Repare sempre na tipo de linguagem utilizado. Invocar um sentido de urgência ou medo é uma tática comum nos ataques de phishing. Os ciberatacantes recorrem muitas vezes a técnicas de engenharia social que procuram tirar proveito da falha humana para atividades ilícitas, como roubo de informações pessoais. 
  6. Implemente uma solução automatizada anti-phishing. Para minimizar os riscos de uma organização ser vítima de um ataque de phishing é necessário contar com um software anti-phishing que, através de Inteligência Artificial, identifique e bloqueie conteúdos maliciosos de todos os serviços de comunicação da empresa (e-mail, aplicações de produtividade, etc.) e plataformas (dispositivos móveis, etc.). Esta cobertura abrangente é imprescindível visto que o conteúdo phishing pode provir de qualquer meio e os colaboradores estão cada vez mais vulneráveis a estas técnicas.
 
16/03/2021

16/03/2021

Check Point Research descobriu mais 10 apps com malware que estavam no Google Play


Mais uma semana, mais um lote de apps com malware no Google Play.


A Check Point Research (CPR), área de Threat Intelligence da  Check Point Software Technologies Ltd., fornecedor líder especializado em soluções de cibersegurança a nível global, descobriu recentemente um programa malicioso inserido em 10 aplicações utilitárias da Google Play Store. Designado “Clast82” pelos investigadores, o dropper contornou as medidas de proteção da plataforma, sendo capaz de ativar o segundo estádio de ataque, no qual o hacker conseguiria aceder às contas bancárias das vítimas e exercer controlo sobre os seus telemóveis.

 

Método do Clast82

O Clast82 dissemina o AlienBot Banker, o malware-as-a-service que alcança as aplicações financeiras, contornando os códigos de autenticação dupla requeridos tipicamente. Atualmente, o Clast82 está equipado com um trojan de acesso remoto (MRAT) capaz de controlar o dispositivo através da funcionalidade TeamViewer, dando ao atacante o poder de execução que este teria se tivesse o telemóvel fisicamente nas suas mãos.

 

Os investigadores da Check Point descrevem o método de ataque em 4 fases:

  1. Vítima faz download de uma aplicação utilitária presente na plataforma Google Play Store que contém o dropper Clast82
  2. Clast82 comunica com o servidor C&C para receber a configuração
  3. Clast82 faz download do payload recebido pela configuração, o AlienBot Banker, instalando-o, de seguida, no dispositivo Android
  4. Hacker adquire acesso às credenciais financeiras da vítima, conseguindo controlar inteiramente o seu telemóvel

 

Manipulação de terceiros para evitar a deteção da Google

O Clast82 utiliza uma série de técnicas para se evadir à deteção da Google Play Protect, entre as quais:

 

  • Utiliza o FireBase detido pela Google como plataforma para comunicação C&C. O atacante responsável pelo Clast82 alterou a configuração do comando e controlo através do FireBase, “desativando” o comportamento malicioso do Clast82, tornando-o indetetável no processo de avaliação de ameaças levado a cabo pela Google.
  • Utiliza o GitHub como plataforma terceira para fazer download do payload. Para cada aplicação, o agente malicioso criou um novo perfil de programador na Google Play Store, em conjunto com o repositório da sua conta no GitHub. Este modus operandi permitiu-lhe distribuir diferentes payloads pelos dispositivos que foram sendo infetados pelas aplicações maliciosas.

 

O hacker por detrás do Clast82 conseguiu contornar as proteções da Google Play através de uma metodologia criativa, mas muito preocupante. Com uma manipulação simples de terceiras plataformas já existentes, como o GitHub e o FireBase, aproveitou recursos prontamente disponíveis. As vítimas pensam estar a fazer download de uma aplicação utilitária inócua de um fornecedor Android oficial, mas o que recebem, na realidade, é um trojan perigoso que vai direto às suas contas financeiras,” começa por dizer Rui Duro, Country Manager da Check Point Portugal. “A sua capacidade de se manter indetetável vem reforçar a importância de utilizar soluções de segurança móvel. Fazer um simples scan da app no período de avaliação claramente não é suficiente, já que o atacante pode ir mudando o comportamento da aplicação – e é certo que o fará,” termina o responsável.

 

As 10 aplicações utilitárias envolvidas

O atacante fez uso de aplicações conhecidas e legítimas de código aberto. A lista é seguinte:

 

Nome

Nome do Package

Cake VPN

com.lazycoder.cakevpns

Pacific VPN

com.protectvpn.freeapp

eVPN

com.abcd.evpnfree

BeatPlayer

com.crrl.beatplayers

BeatPlayer

com.crrl.beatplayers

QR/Barcode Scanner MAX

com.bezrukd.qrcodebarcode

eVPN

com.abcd.evpnfree

Music Player

com.revosleap.samplemusicplayers

tooltipnatorlibrary

com.mistergrizzlys.docscanpro

QRecorder

com.record.callvoicerecorder

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Figura 1. Malware Clast82 na Google Play

 

A 28 de janeiro de 2021, a Check Point Research reportou as suas descobertas à Google. No dia 9 de fevereiro, a gigante tecnológica confirmou que todas as aplicações afetadas pelo Clast82 foram removidas da plataforma.