21/05/2016

21/05/2016

Lei do bem mata Moto G4 no Brasil


O Moto G4 ou 2016, se preferirem, era um dos equipamentos mais esperados pela comunidade Android. O sucesso garantido pelas anteriores versões conseguiu colocar este smartphone no topo das escolhas da gama média.
É certo que já não goza de uma hegemonia como a primeira e segunda versão conseguiram, mas continua a ser uma opção incontornável para que procura um bom terminal de gama média.


Conforme previsto, teve lugar esta semana a apresentação do novo Moto G. Na realidade, foram apresentados não um mas três modelos, o G4, o G4 Plus e o Play.

A apresentação teve lugar na Índia, país que é o segundo maior mercado para a Motorola. A primeira posição é ocupada pelo Brasil, mas esta situação vai por certo sofrer alterações já este ano, pois os preços do Moto G4 estão longe de convencer.

Na Índia temos valores bastante simpáticos com $200(178€) para o G4 Plus com 2GB e $225(200€) para a versão de 3GB de RAM. Ainda não há informação relativamente à chegada a outros mercados. No Reino Unido o preço fica um pouco menos interessante: Moto G £169(216€), Moto G Plus £199(254€), disponíveis na Amazon no início de Junho. Mesmo assim, estão dentro dos preços actualmente praticados para a gama média.

No caso do Brasil, o panorama é bem diferente. Aterrador, diria. R$ 1.299,00 (325€) para o G4 e R$ 1.499,99 (375€) para o G4 Plus. O G4 Play ainda não tem preço, mas segundo a Lenovo será abaixo de R$ 1.000,00 (250€). A diferença para os valores praticados na Europa é assustadora, são 50% mais altos no Brasil.

Para comparação, o modelo base do Moto G 2015 a quando do seu lançamento no Brasil custava R$ 849 (225€), valor em linha com os praticados na Europa. Depois, teve o preço alterado para R$ 899 e agora custa R$ 999. São R$ 150 de aumento no total.

Este aumento de preço está relacionado com a Lei do Bem, que prevê benefícios fiscais para quem aposte em investigação e desenvolvimento no Brasil. Durante o período de vigência da isenção fiscal os resultados da Motorola aumentaram cerca de três vezes, daí o primeiro brasileiro em termos globais. A revogação temporária da lei levou ao aumento de preços e neste momento, com o governo temporário em gestão, não há informações relativamente ao que o mesmo pretende implementar no campo fiscal.

Fica assim a Motorola numa verdadeira encruzilhada legal e os brasileiros altamente prejudicados, com um agravamento brutal no preço de aquisição dos terminais da marca.

Como curiosidade, nos EUA a coisa não está muito melhor, com a imprensa a destilar o seu desagrado com a situação:
"The original Motorola's home turf is now a secondary, maybe even tertiary market for new products bearing the Moto name."
Pois é, temos pena. Nós por cá já temos este tratamento há muito tempo. É a tal coisa, com o mal dos outros, podemos nós bem. Quando nos toca, a coisa muda de figura.

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